O conselho de Stephen Hawking para se ter uma carreira feliz

Físico britânico incentivava os filhos a procurar um trabalho com significado e propósito. O que os especialistas acham dessa recomendação?

Em 2010, a jornalista americana Diane Sawyer, da ABC World News, perguntou a Hawking que conselhos ele daria a seus filhos. E uma das respostas foi:

“O trabalho proporciona significado e propósito, e a vida é vazia sem isso.”

Mas será que essa filosofia em relação ao trabalho pode se aplicar a todo mundo? A vida fica realmente vazia sem um emprego que não apenas pague as contas, mas também propicie realização e satisfação pessoal?

“Se você ama o que faz, os pequenos problemas que aparecem não te afetam nem fazem você desistir. É bom para o indivíduo e para a organização”, avalia Sally Maitlis, professora de comportamento organizacional e liderança na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

“Mas pode ser prejudicial se você ama a ponto de (o trabalho) ser absolutamente essencial para a forma como você entende a si mesmo e a sua contribuição para o mundo”, adverte.

Maitlis explorou esse conceito, no ano passado, em parceria com Kira Schabram, professora de administração na Universidade de Washington. Elas fizeram um estudo com 50 pessoas que trabalhavam em abrigos de animais na América do Norte, atraídos para o emprego por causa do amor de infância pelos animais ou pela crença de que tinham as habilidades necessárias para fazer a diferença.

Como resultado, eles acumulavam horas extras, se ofereciam para turnos difíceis e invariavelmente resolviam problemas. Mas, no fim das contas, se sentiam estafados ou frustrados. Não era raro se depararem com a eutanásia de animais ou terem que lidar com a dura realidade dos recursos escassos, além da má gestão que rondava muitos abrigos. Uma parte acabava desistindo.

“Você não pode separar Elon Musk de tudo o que ele está construindo”, compara.

Em outras palavras, são atividades com as quais você tem uma afinidade natural – e poderia desempenhar apenas por prazer fora do horário do expediente.

Porém, embora muitas pessoas consigam identificar esses interesses, acabam não investindo em suas verdadeiras paixões na hora de construir uma carreira.

“Preferem ir trabalhar no (banco de investimentos) J.P. Morgan porque acham que é uma aposta segura”, afirma Lechner. “E deixam de fazer coisas em que, de outro modo, poderiam prosperar, crescer e agregar valor, e o mundo poderia retribuir de uma maneira positiva.”

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